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As candidaturas femininas nas eleições de 2022 aumentaram.

Será que a causa feminina está sendo representada?


Mais candidaturas femininas e com possibilidades igualitárias de disputa é assunto vez para essas eleições.


Ilustrações: Leandro Bender

UPAON AÇU - Te alui, mermã! E rumbora conversar sobre representatividade feminina nessas eleições. Ao longo da nossa caminhada histórica, houve uma separação entre os genêros e as dimensões da vida que caberiam a cada um deles. Na medida em que os espaços públicos foram sendo destinados aos homens, as mulheres eram afastadas cada vez mais dessa esfera, em que se efetuam as decisões coletivas.

Apesar disso, nos últimos anos tornam-se mais expressivas as iniciativas que reivindicam a equidade entre gêneros, atuando na defesa da representatividade. Como a Emenda Constitucional nº 117, de 5 de abril de 2022, que modifica o artigo 17 da Constituição Federal para garantir a aplicação de 30% do Fundo Partidário na promoção de candidaturas femininas. Sabendo disso, para que a desigualdade de gênero em geral e a desigualdade nas relações trabalhistas se tornem uma página do passado das pautas dos movimentos feminino e feminista, é preciso que o nosso lugar de fala seja respeitado. Bem como, sejam ampliadas as condições para que as mulheres sejam porta-vozes de suas próprias demandas.

Uma das vozes que relatam a desigualdade de gênero, principalmente, na corrida eleitoral é a política, Leila Santos (PTB), ex-candidata à vereadora nas eleições municipais de 2020 e moradora de Paço do Lumiar. De acordo com a entrevistada, considerando suas vivências, as relações econômicas e partidárias são as que mais impactam negativamente em uma candidatura feminina. Além disso, Leila faz referência a uma rede de apoio dentro e fora do âmbito partidário, que está muito mais presente para os homens. Uma vez que as candidaturas masculinas possuem maior credibilidade no campo especializado da política e no eleitorado.


Leila Santos ex-candidata a vereadora pelo PTB Foto: Arquivo Pessoal

"Não quero ir nessa linha de colocar a mulher como vítima, mas com pé no chão, se colocar na disputa por um cargo político é muito difícil. Existem obstáculos no sentido de não ter apoio econômico, apoio do grupo político, apoio emocional. Quando vem o recurso (do fundo partidário), quando é feita a divisão, nem sempre é feita a divisão de forma igualitária. O homem quando decide sair candidato, ele tem essa rede de apoio, já a maioria das mulheres, normalmente, não têm."




As mulheres são a maioria


As mulheres são, cerca, de 53% do eleitorado brasileiro em 2022, porém não encontram essa realidade quando buscam suas representantes nos poderes legislativo e executivo. Após pressões da sociedade civil organizada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anuncia que esse panorama está prestes a mudar, por meio da Emenda Constitucional 117. A Emenda surge não só pela constatação de que partidos e coligações desrespeitaram a regra eleitoral, denominada popularmente de cota eleitoral feminina, no pleito de 2018, em que as mulheres ficaram com menos de 25% dos recursos. Mas também devido às denúncias de “candidaturas laranjas” As determinações do TSE e do Senado Federal surgem após os escândalos das “candidaturas laranjas”, lançadas sem o intuito de obter êxito na candidatura, visando apenas cumprir a cota eleitoral.


Com essa medida aprovada pelo Senado Federal, as candidaturas femininas devem receber obrigatoriamente, no mínimo, 30% dos recursos do Fundo Eleitoral, destinados aos partidos políticos para suas campanhas. Mas será que a tal mudança já pode ser percebida nessa eleição? De acordo com dados do TSE, 33,27% das candidaturas totais são de mulheres. No entanto, nas votações majoritárias— aquelas que tem o objetivo de eleger presidente, governadores e senadores— esse aumento também se consolida? Sim, há um aumento do percentual em 6%, considerando o ano de 2018, em que mulheres representavam 22% das candidaturas majoritárias. Nesse ano, teremos 180 candidatas dos 653 registrados no TSE, maior número desde a redemocratização em 1989.



É nesse clima de denúncias que enfatizam a luta por representatividade feminina, e com políticas públicas que ajudam aumento do número de mulheres nos espaços de decisão, que a escritora feminista Chimamanda Ngozi Adichie convoca todas as mulheres para participar da busca pela emancipação feminina. Afinal, para Chimamanda...


"Nossa época obriga a tomar partido."

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Já no estado do Maranhão, daqueles que disputam o governo estadual, não há sequer uma candidatura feminina. Somente quando olhamos para chapa como um todo, encontramos candidatas a vice-governadoras. Já para o senado, dentre os 5 postulantes há apenas uma mulher.

Nesse sentido, muitos questionam se essa não seria uma estratégia dos partidos para cumprir a cota eleitoral, mas sem delegar às mulheres o papel central da corrida eleitoral.

Como visto, a busca por melhores condições para candidaturas femininas é difícil e controversa. Por isso, não basta só votar em mulheres. Mas é preciso votar em candidaturas femininas comprometidas com a garantia de direitos das mulheres, colaborando para que vozes femininas ecoem cada vez mais na política e em prol das mudanças das estruturas institucionais que fortalecem o patriarcado.


Conheça as plataformas abaixo que contribuem para a escolha do voto feminino e feminista nas eleições de 2022:

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